27/3/2008
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The Mathematician
Upload feito originalmente por Frédéric Solenthaler
Transcrevo aqui a poesia do biólogo chileno Humberto Maturana, feita para um professor do seu filho, que inibia o desabrochar da criatividade da criança querendo impor-lhe um modelo rígido.
A poesia, denominada prece do estudante, pode ser vertida para o português da seguinte forma:
Não me imponha o que você sabe;
quero explorar o desconhecido,
e ser a origem das minhas próprias descobertas.
Que o seu saber seja minha liberdade, não minha escravidão.
O mundo de sua verdade pode ser minha limitação;
sua sabedoria, minha negação.
Não me instrua; vamos caminhar juntos.
Deixe que minha riqueza comece onde a sua termina.
Mostre-se a mim, de maneira que eu possa
subir em cima dos seus ombros, e ver mais longe.
Revele-se para que eu possa ser
alguma coisa diferente.
Você crê que todo ser humano
pode amar e criar;
Compreendo, por isso, seu medo,
quando lhe peço que deixe-me viver de acordo com minha sabedoria.
Você nunca saberá quem eu sou,
se escutar apenas a si mesmo.
Não me instrua; deixe-me ser;
seu fracasso é que eu seja idêntico a você.
(Humberto Maturana)
18/3/2008
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Nomad’s Return
Upload feito originalmente por More Altitude
Essas múltiplas realidades! Meus pais. Meus filhos. Minha esposa. Os amigos. A turma do trabalho. As gentes que encontro nas ruas. Em seus carros importados. Ou então dormindo no chão. Cada um em seu mundo. No mesmo mundo, mas sob uma incompartilhável perspectiva.
Como posso falar com eles? De que modo ouví-los?
A vida se tornou descoberta. Constante invenção. Iinvenção de mim mesmo.
E se passou que outro dia estava em casa, já tarde da noite, debatendo em nosso quarto sobre o mundo, a vida, o tao, nossa relação, mitos e entendimento. Sobre tudo enfim. E a criança acordou e veio para nossa cama, ainda dormindo. E mais uma vez nos vimos em uma discussão temerária que não ia levar a lugar algum. Produzindo apenas mais um pouco de sofrimento…
Com o silêncio da criança que voltou a dormir o quarto tornou-se denso. Não havia perspectivas de um bom final de noite. Mas então eu refleti! Lembrei-me de que nada aquilo realmente era algo em si mesmo, e que tudo aquilo eu estava inventando e reinventando a todo instante!Então porque fazê-lo desse modo? Com dor e sofrimento?
Levantei-me, dei a volta na cama e fui até ela. Peguei seu rosto entre minhas mão e olhei fundo em seus olhos castanhos. Doces olhos que me trouxeram ainda mais ao instante presente. Me entreguei aquele momento como se fosse o primeiro da minha vida. E realmente era! Sintonizei-me com o agora, em toda sua espantosa simplicidade. E pude ver que a amava!
Ela sorriu e me disse palavras de conciliação. Pude ouvi-la como nunca e jurei nunca mais jurar. Convidei-a para vivermos assim, nessa eternidade do momento presente. Ela sorriu, nos beijamos, abraçamos e dormi.
18/3/2008
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…
Upload feito originalmente por ursusmaior
Este testemunhar atento ao meu modo de falar e ouvir me leva a perceber como me ouvem também! Sinto quando alguém está me ouvindo apenas para que eu confirme o que ele pensa ou já sabe… Não háinteresse verdadeiro. Não há abertura de coração. Apenas um filtro apertado, que só deixa passar as opiniões e validações que a pessoa já tem! Escolhi essa imagem como referência (me desculpe cara senhora anônima!) porque as orelhas estão escondidas e o semblante é uma muralha! Haja vontade de não ouvir, hein?
14/3/2008
· Arquivado em bitácula

No documento do Instituto Matríztico que orienta as linhas de ação do curso encontramos:
Bitácula:
Cada estudante manterá uma bitácula na qual ele ou ela registrará suas experiências ao longo do Processo Formativo. Essa bitácula não deve ser somente uma coleção de notas. Nela o estudante registrará o que lhe acontece aolongo do suceder de cada dia ou período no curso, mostrando o fluxo de suas emoções ou reflexões. Por isso, a bitácula é absolutamente pessoal.
A bitácula será uma referência básica para o Ensaio Final que o estudante apresentará ao finalizar cada ano do Processo Formativo. Esses ensaios finais consistirão de uma apresentação que cada estudante fará perante seus companheiros e companheiras sobre um tema de livre escolha relacionado com o curso.
14/3/2008
· Arquivado em Critérios de Validação, Percepção e Ilusão

1965 duas tribos
Upload feito originalmente por cavern club
Agora mesmo me pus a refletir sobre essa expressão que usei no post anterior. Muito popular, é amplamente utilizada no sentido de: “Só agora entendi”. Ocorre que ela denota claramente um mode de operar dos seres humanos vivos.
Entramos em contato diversas vêzes com informações importantes para nossas vidas, e simplesmente as ignoramos. Ouvimos conselhos de amigos, lições de professores, dicas nos jornais e revistas, conclusões dos terapeutas, pareceres dos especialistas e até mesmo previsões das cartomantes e absolutamente não registramos, não entendemos, não gravamos e nem refletimos sobre quase nada disso.
Dizer que o ouvido também tem pálpebra é divertido, mas não justifica essa nossa surdez inconsciente. Creio que os critérios de validação realmente existem! Me parece que é se como nós tivéssemos uma espécie de audição seletiva que, mesmo com nossos martelos e bigornas reagindo ao sons das palavras, nos impede de realmente ouvir.
Também tem a ver com ilusão e percepção. Quando temos uma percepção sobre algo, mesmo que alguém nos avise que aquilo é só uma ilusão, não o ouvimos. Seguimos em frente e, quando alguma experiência nos mostra que estávamos enganados em relação aquele assunto, então aceitamos a ilusão dizendo: “Agora é que me caiu a ficha!”.
E querem saber, até agora o curso de BC (Biologia Cultural) fez cair não uma ficha, mas um cartão telefônico inteiro para mim, ok?
À condição adicional que o observador põe em seu escutar para aceitar um mecanismo generativo como explicação chamamos critério de validação. (H.M.)
14/3/2008
· Arquivado em Indefinido
Mergulhando no ambiente do Eureka percebi que a Bitácula Pessoal solicitada pelo curso de Certificação em Biologia Cultural é na verdade uma espécie de Diário de Bordo. Um livro de viagem que deverá resgistrar meu “seguir vivendo” com reflexões e emoções perceptualmente decorridas de minha experiência presencial no curso e de seus desdobramentos em minha vida cotidiana.
É uma pena que eu só tenha entendido isso agora, apesar de ter ouvido o Inácio explicar isso pessoalmente e de ter lido no Eureka claramente. Mas parece que só agora “caiu a ficha” sobre a importância e significado desta minha bitácula e de como produzí-la.
Vou usar a ferramenta blog porque, além de ser um basicamente um diário, me é familiar e de fácil acesso já que, por força de minha profissão, vivo conectado.
Então é isso! Poderia ter começado este trabalho mesmo durante o curso mas só agora vai acontecer. Não terei aqui o frescor de minhas reflexões e emoções naquela memorável semana de Ximena e Maturana em Curitiba, mas serei o mais fiel possível na expressão de meus sentimentos e pensamentos de agora em diante, ok?