A noção de tempo surge como uma explicação constante e recorrente para um paradoxo que experimentamos ao nos percebermos em um presente contínuo que se transforma a cada pulso sincrônico de nossas sinapses cerebrais.
Observamos este momento estático, único tempo em que vivemos, pois não há passado em nossa experiência, apenas na lembrança que conservamos como a explicação da experiência.
E nada muda pois este momento presente é absolutamente sempre o mesmo, sem futuro pois este é apenas uma projeção presumida de acontecimentos que supomos a partir dos vetores de explicação que conservamos para nossas vidas.
Este presente momento estático do instante contínuo que permanece e muda sem se alterar enquanto se transforma, se conservando nesta transformação e se transformando nesta conservação, a isto chamo tempo, e nada mais!

drleonunes disse,
29/7/2009 @ 16:01
Interessante é a experiência de explicar os evento temporais.
Talvez em uma tentativa se poderia explicar a mesma vivência do passado em período distintos (hoje, amanhã, daqui a um mês, etc), ou em fases distintas da vida (na infância, vida adulta e maturidade). Dá pra perceber que conservamos uma linha-mestra pouco elaborada das fatos e que modificamos os detalhes? Dá pra perceber que nossa vida é revivida como alguns instantes significativos, mas repleta de lapsos ou “buracos” de tempo, de memória?
Noutra, é perceber como diferentes pessoas descrevem nossa infância, ou como as pessoas nos percebem atualmente e narram a nossa história. Há discrepância entre as narrativas das pessoas, e entre a delas e a nossa?
E o futuro? Sobre as expectativas que nossos pais tinham para o que seríamos profissionalmente, e aquilo que desejávamos ser enquando jóvens. Os planejamentos de cada presente, e o que conquistamos com nossa história.
O mais curioso disto tudo, enquanto falamos do tempo, é que cada coisa que está na consciência, que está no pensamento, também está diretamente atrelada às narrativas da linguagem. E saber que o que descrevemos não é aquilo que vivemos na fisiologia. Biológicamente, estamos no tempo zero celular, molecular; tempo este em que as coisas gatilham mudanças momento a momento, e a coisa anterior não determina a que ocorrerá depois. Estão apenas lá, quiçá para participar da recursividade de outro processo que poderá ser semelhante ao primeiro ou não. O que descrevemos está finalmente na percepção daquilo que observamos. No espaço de relações, de encontros; na interface daquilo que chamamos externo e interno, daquilo que está definido na linguagem! E o que conhecemos que não está?
Enfim, estas reflexões dão o que pensar!
Adorei o seu blog, querido amigo.
Leandro.